Distúrbios do sono - Difícil dormir com eles: apneia, ronco e Síndrome das Pernas Inquietas

Estima-se que existam hoje, permeando os estudos médicos, mais de cem doenças relacionadas direta ou indiretamente com um sono ruim. Na segunda matéria do especial "Sono", você conheceu as causas e tratamentos da temível Insônia. Nesta terceira parte, desvendamos outros três transtornos bastante comuns e perturbadores: apneia, ronco e Síndrome das Pernas Inquietas.

Apneia
De acordo com a Academia Brasileira de Neurologia, 8,5 milhões de brasileiros (5% da população) sofrem com o fechamento repetitivo da passagem do ar na garganta durante o sono, a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS), conhecida como apneia. A respiração pode ser interrompida por até 40 segundos. "A doença é perigosa, pois falta ao cérebro o oxigênio necessário para o seu correto funcionamento", alerta o Dr. Shigueo Yonekura, neurologista do Instituto de Medicina e Sono de Campinas e Piracicaba.

Quem sofre desse mal deve evitar relaxantes musculares como, por exemplo, álcool ou medicamentos sedativos, calmantes e antialérgicos
Há três tipos de apneias: a central, a obstrutiva e a mista. Na central, não há entrada e saída de ar dos pulmões porque a pessoa faz força insuficiente para respirar. Na obstrutiva, tipo mais comum, a pessoa tenta respirar mas não consegue porque a garganta está obstruída. Na mista, a pessoa não faz esforço inicial, mas depois tenta respirar e não consegue em consequência de alguma obstrução.

A apneia obstrutiva pode ocorrer por várias causas como excesso de peso, problemas anatômicos e posturas incorretas. Alguns sintomas são: acordar ofegante, com sensação de sufocamento, dor no peito ou desconforto, com dor de cabeça ou confusa, ter dificuldade de concentração, sudorese noturna, entre outros. Mas sozinho ninguém percebe a apneia. Foi o que aconteceu com a relações públicas Tatiana Medeiros, de 28 anos. Só depois de casar descobriu que precisava de tratamento. "Meu marido notou as paradas na respiração durante a noite e me alertou. Com o tratamento, percebi que a qualidade do meu sono mudou", diz.

Tratamento
Os tratamentos indicados às apneias do sono variam caso a caso e estão sujeitos a fatores como a idade, a gravidade do distúrbio e a dedicação às recomendações médicas. Quem sofre desse mal deve evitar relaxantes musculares como, por exemplo, álcool ou medicamentos sedativos, calmantes e antialérgicos. A cura inclui usar aparelhos, medicamentos ou, em casos mais críticos, cirurgia.
 
Ronco
Ronco é a vibração dos tecidos moles da garganta. Prevalece nos homens e em pessoas acima do peso ideal. De acordo com a Sociedade Brasileira do Sono, cansaço físico e consumo de álcool podem causar ou agravar o quadro. O barulho surge devido à dificuldade do ar em passar pela pequena via aérea superior, que compreende todo o espaço desde o nariz às cordas vocais. A obstrução nasal também pode ser uma de suas causas.

"Como sempre cheguei muito tarde do trabalho, não tinha tempo para deixar o corpo desligar da rotina estressante e ia para a cama agitado. Um dia, minha esposa disse que ouvia o meu ronco. Tratei de procurar um especialista e, aos poucos, fui diminuindo o meu ritmo à noite. Tem funcionado", observa o administrador de empresas Marcelo Castro, de 32 anos.

Para casos mais simples, a mudança de posição ao dormir pode ser suficiente: dormir de lado ao invés de deitar de barriga pra cima - o que induz ao ronco
Os prejuízos para quem tem uma noite mal dormida podem ser muitos. A perda de horas no sono pode ocasionar cansaço, sonolência diurna, irritabilidade com colegas e familiares e comprometer a habilidade para realizar atividades que envolvam memória e raciocínio, além de piorar o desempenho sexual, de acordo com o Dr. Fábio Lorenzetti, especialista em Medicina do Sono.

O médico alerta também para os efeitos indiretos da sonolência como aumento do risco de acidentes automobilísticos e acidentes de trabalho. Além disso, se não tratados, distúrbios do sono podem gerar risco de outras doenças a médio e longo prazo: hipertensão arterial, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral, entre outras.

Tratamento
Para casos mais simples, a mudança de posição ao dormir pode ser suficiente: dormir de lado ao invés de deitar de barriga pra cima - o que induz ao ronco. É recomendável utilizar um travesseiro mais alto ou elevar a cabeceira com enchimento sob o colchão ou tacos sob os pés da cama. Evitar álcool e refeições pesadas antes de dormir pode solucionar o problema. Medicamentos e aparelhos podem ser necessários nos graus mais avançados.
 
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Fonte: VIX
Foto: Shutterstock