Dormir mal vai muito além das olheiras

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Não dormir o suficiente abala o sistema imunológico, psíquico, cardiovascular e a alimentação

Kawanna Cordeiro

Quem já teve uma noite de sono mal dormida sabe os danos que ela causa quando chega o dia seguinte. Olheiras, mau humor e dificuldade de concentração são algumas das respostas do corpo ao pouco tempo de sono.  A qualidade do sono implica na vida mental e física, e ter uma boa noite de sono é essencial para um dia produtivo.

O estudante Kelwin Ramos diz o quanto o dia se torna difícil quando não dorme bem. “Mente pesada, dor de cabeça e imunidade fraca. Muitas vezes também me sinto indisposto para estudar ou trabalhar”, afirma. Ele ainda completa que a rotina semanal se torna muito cansativa e exaustiva. Outra consequência é o stress, porque na privação do sono o cortisol, hormônio ativado por ele, permanece em altos níveis e não faz o ciclo como deveria.

A insônia ou o pouco tempo de horas dormidas, além de trazer um dia difícil, está diretamente ligada a problemas psicológicos. Ela se torna um sintoma comum em pacientes que sofrem de ansiedade, depressão, esquizofrenia, bipolaridade e distúrbios de atenção. Mas não é somente o sistema psicológico que é afetado. “As pessoas que sofrem desse mal contraem consequências cardiovasculares, como infarto e derrame cerebral. Também podem apresentar hipertensão. Quem tem diabetes pode sofrer uma piora”, afirma Shigueo Yonekura, neurologista do Instituto de Medicina do Sono de Campinas e Piracicaba. O sistema imunológico também pode ser prejudicado porque determinadas substâncias de defesa são secretadas enquanto a pessoa dorme profundamente.

Outro problema acarretado pelas noites mal dormidas é a alimentação. “Não sei se a questão de sentir fome tem relação com dormir mal, mas é uma das coisas que eu mais sinto quando não durmo,” revela o estudante Kevin Dantas. E sim, tem relação. Dormir 6 horas ou menos por noite aumenta a produção do hormônio grelina, que é responsável pela nossa sensação de fome, e diminui a produção de leptina, o hormônio da saciedade. Por isso, a insônia também pode levar a obesidade.

O ideal seria dormir de 6 a 9 horas por noite. “Um sono curto (menor do que 6 horas) está associado a um aumento de 12% no risco de morte. Dormir demais (acima de 9h) também está associado a um aumento da mortalidade, em torno de 23%, incluindo causas cardiovasculares e câncer”, explica o cardiologista Fabio Tuche.

O recomendado pelos médicos é evitar leite, carne, bebidas alcoólicas e açúcar antes de dormir para ter um sono reparador. A famosa soneca depois do almoço também pode ajuda a recuperar nossas energias e diminuir o stress. “A soneca também melhora o raciocínio, a atenção, a memória e coordenação motora” completa Yonekura. Mas ele lembra que ela deve ter somente 15 minutos. A pessoa deve ficar atenta porque o cochilo pode ter um resultado inverso e trazer ainda mais cansaço.