O corpo avisa: excesso de sono pode ser sinal de doenças

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Sentir excesso de sono é um dos sinais de que o corpo não anda bem. Dormir muitas horas nem sempre ajuda o organismo a descansar de verdade

Por Michele Custódio - 14/07/2017
 

Que o frio do inverno faz um convite irresistível para uma cama quentinha e um filme, todo mundo sabe. No entanto, a vontade permanente de querer dormir ou até mesmo de ficar deitado pode ser um alerta emitido por nosso organismo. Fique alerta com o excesso de sono!

É normal sentir vontade de se jogar na cama depois de um dia todo fora de casa, mas todo o excesso precisa ser bem observado. “Sentir aquela fadiga incompreensível por vários dias consecutivos é sinal de que algo não vai bem com sua saúde. Quando digo saúde, me refiro tanto a saúde física como mental”, afirma o nutrólogo, Theo Webert.

O especialista elenca que sedentarismo, desequilíbrio hormonal, má alimentação, estresse e sono acumulado são alguns dos problemas que contribuem para o cansaço. “Se não tratado, pode provocar baixa autoestima, enxaquecas e até outras doenças no organismo como psoríase (doença de pele que causa vermelhidão e irritação) e gastrite”, revela.  A alimentação bem regulada é a melhor alternativa para despistar e evitar sintomas da fadiga. “O grande segredo de nosso corpo é respeitá-lo e isso começa com uma dieta saudável, que reequilibre nossas funções vitais, valorizando sempre a alimentação rica em frutas e verduras frescas”, lembra.

Além disso, praticar exercícios físicos e relaxar pode não só ajudar como também prevenir o problema. “Em todo caso, sempre é bom procura uma avaliação médica, já que cada corpo é um universo”, ressalva. Mas quanto é necessário dormir? “Cada pessoa tem seu tempo ideal de sono, mas a maior parte da população adulta precisa de sete ou oito horas por dia. A quantidade depende do cansaço físico, mental, da idade e até da genética de cada indivíduo”, responde o neurologista Shigueo Yonekura, especialista em sono.
Nem pouco, nem muito

Assim como a privação do sono pode provocar problemas de saúde, dormir demais também interfere no funcionamento do organismo e, em vez de dar mais energia, pode provocar mais cansaço. “O fato de dormir muito se transforma em um problema pois também é um distúrbio no ritmo circadiano, o que chamamos de relógio biológico”, destaca o neurologista Eduardo Barreto. Quem sente que as horas noturnas de repouso não são suficientes pode tirar cochilos durante a tarde – alguns minutos após o almoço, por exemplo. Mas o recomendado é não permanecer na cama após o sono já ter ido embora, nem insistir em dormir durante o dia só para “repor” as horas perdidas.

Uma pesquisa da Universidade de Laval, no Canadá, mostra que permanecer em repouso mais horas do que o necessário pode, inclusive, aumentar as chances de desenvolver diabetes. Outro estudo, feito pelo hospital Geral de Vancouver, analisou 70 mil mulheres e constatou que quem dormia entre nove e 11 horas era 38% mais propensa a ter problemas de coração do que quem dormia oito horas. O excesso de sono interfere também na capacidade mental, causando raciocínio lento.

Segundo o clínico geral Francisco Mazon, não é preciso dormir muitas horas a mais para que o corpo descanse. “Quando vamos repor o sono, geralmente precisamos dormir menos horas do que a soma das horas perdidas, pois o corpo consegue ‘dormir de forma mais eficiente’”. Esse débito de sono pode causar um sono mais profundo, o que pode levar, por outro lado, a uma respiração mais difícil, causando, por exemplo, o ronco.

 

Texto: Redação Alto Astral | Consultoria: Eduardo Barreto, neurologista; Shigueo Yonekura, especialista em sono; Theo Webert, nutrólogo