Como se adaptar ao fim do horário de verão

Depois de se adaptar ao horário de verão, o brasileiro terá que encontrar alternativas para enfrentar mais uma vez a mudança na hora de dormir e acordar. Segundo o neurologista do Instituto de Medicina e Sono de Campinas e Piracicaba, Shigueo Yonekura, que é especialista em distúrbios do sono pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), a alteração pode causar certo desconforto, como mal-estar, dificuldade para dormir no horário habitual, irritabilidade e sonolência diurna. Os problemas ocorrem devido a uma mudança no ritmo circadiano ou biológico.
O horário de verão, que durou quatro meses, acaba no próximo domingo (21), quando os relógios devem ser atrasados em uma hora nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Apesar do certo desconforto causado pela mudança, o neurologista diz que a adaptação ao fim da medida costuma ser mais fácil, em relação ao início. Com os relógios adiantados em uma hora, o organismo sofre mais para acordar sem a luz do dia, que funciona como um despertador. É isso o que torna mais fácil a adaptação ao término do que ao início do horário de verão
Agora, se a pessoa realmente tiver algum tipo de dificuldade, ela pode iniciar a adaptação de forma antecipada, dormindo, a cada dia, 15 minutos mais tarde. Em quatro dias, quando completar uma hora, ela poderá estar adaptada e não sentirá os efeitos no corpo de forma abrupta.
Outra recomendação para amenizar os efeitos da mudança é evitar bebidas e alimentos estimulantes antes de dormir. Algumas pessoas costumam sofrer mais com os efeitos da mudança, como as que apresentam problemas cardíacos ou pressão alta. A pressão pode subir ou a arritmia pode ficar mais sintomática.
Seja no horário de verão ou no convencional, o que importa mesmo é ter uma boa noite de sono para recarregar as energias. Um dos obstáculos para um sono tranquilo é o calor, e, nas últimas semanas, as temperaturas voltaram a ficar elevadas, atrapalhando as noites de descanso. “Em temperaturas acima de 27 graus, as pessoas têm dificuldade em pegar no sono e acordam mais vezes. A orientação é dormir em local arejado, pode utilizar ventilador ou ar-condicionado, e tomar um banho em temperatura ambiente antes de deitar.”
O neurologista reforça a importância do sono para a saúde física e mental. “O sono está relacionado ao bem-estar físico, à memorização e à recuperação de vários hormônios, produzidos somente à noite”, afirma.