Ronco: um sinal de alerta - Jornal de Piracicaba

Quase metade dos adultos roncam, pelo menos ocasionalmente, e 25% são roncadores habituais. Segundo o médico Shigueo Yonekura, neurologista do Instituto de Neurologia & Sono de Campinas e Piracicaba, o ronco é mais frequente em homens com sobrepeso e em mulheres a partir da menopausa.
O ronco patológico é um ruído provocado pela vibração que ocorre quando o ar encontra dificuldades para passar pela garganta ou pelo nariz.
De acordo com Yonekura, o fenômeno central para o surgimento do ronco consiste na garganta flácida. “O tono dos músculos da garganta se reduz, levando progressivamente ao contato das paredes que gera vibração e o ruído característico. O sono, além de provocar relaxamento muscular, altera a coordenação entre as contrações do diafragma e dos músculos da garganta. Suspeita-se que os roncadores sofram uma perda dessa coordenação herdada geneticamente”, relatou.
Fatores anatômicos como obesidade, queixo pequeno, mordida estreita, céu da boca (palato) em formato de ogiva, amídalas e adenóides aumentadas também contribuem para o estreitamento da passagem do ar, facilitando o contato entre as paredes da garganta e, consequentemente, propiciando o ronco.
“O problema tende a se agravar com a idade, consumo de bebidas alcoólicas ou medicamentos ansiolíticos. Com a idade, as estruturas anatômicas tendem a ficar mais flácidas e isso condiciona maior chance de apresentar ronco”, informou.
Uma boa dica para evitar o ronco é dormir de lado já que a respiração flui melhor. “Dormir de barriga para cima não é indicado, pois piora as paradas respiratórias. Nessa posição, a gravidade empurra a língua e a pessoa tem mais chances de roncar ou de ter apneia”, disse.
APNEIA DO SONO — Segundo o neurologista, o ronco só se torna um problema quando é acompanhado de apneia do sono. Yonekura relatou que quem sofre de apneia geralmente ronca, mas nem todos que roncam têm apneia.
“Cerca de 30% das pessoas que roncam têm apneia. O ronco pode ser um sintoma da apneia do sono, que é caracterizada pelo fechamento repetitivo da passagem do ar pela garganta, provocando pequenas paradas respiratórias durante o sono”, informou.
A apneia do sono é uma doença grave e progressiva, que pode provocar pressão alta, infarto do miocárdio, arritmias cardíacas, derrame cerebral, além de aumentar em sete vezes o risco de acidente de trânsito. “Quando o ronco começa a atrapalhar o companheiro ou companheira e o paciente percebe que tem sonolência durante o dia e acorda com sensação de sufocamento, é preciso ficar atento. A sonolência diurna ocorre devido a vários episódios de apneia que levam o paciente a acordar. A fragmentação do sono impede que o mesmo progrida para as fases mais profundas, onde o descanso é maior”, disse.
Para diagnosticar a doença, o paciente deve passar por um exame chamado polissonografia, que consiste no monitoramento do sono da pessoa durante uma noite inteira, possibilitando uma avaliação correta e indicação da melhor forma de tratamento.